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Summit Associquim/Sincoquim recebe conferencistas de alto nível

26/03/2018 - 11:03

Durante o Summit Associquim/Sincoquim, realizado em 15 de março, em São Paulo, a assinatura de um acordo entre a Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim) e a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), para cooperação entre o Prodir - Processo Distribuição Responsável (Associquim) e o Programa Atuação Responsável (Abiquim), deixa claro o comprometimento do setor em assegurar grau de excelência na gestão de processos, atividades e negócios envolvendo produtos químicos.

Para Rubens Medrano, presidente da Associquim/Sincoquim, a interação entre a indústria e a distribuição é de fundamental importância. “Qualidade e segurança são assuntos sempre em evidência em nosso setor e todos os segmentos precisam atuar de forma integrada para alcançar os melhores resultados. Este acordo renderá bons frutos.”

Fernando Figueiredo, presidente-executivo da Abiquim, também demonstrou entusiasmo ao assinar o acordo: “A cooperação entre os programas aumentará a segurança em todos os processos da indústria, da produção à distribuição.”

O acordo prevê o desenvolvimento de ações conjuntas com foco em saúde, segurança e preservação ambiental.

A Associquim ressalta a importância da Certificação Prodir, que proporciona às certificadas inúmeros benefícios, como informação e análise das legislações que regulamentam as atividades do setor; adequação de equipamentos, armazéns e procedimentos operacionais às normas de segurança e capacitação de recursos humanos. O Prodir conta com o aval de certificadoras de reconhecida competência. Atualmente, são 52 empresas certificadas e cinco em processo de certificação. Na opinião de Medrano, “essa base será ampliada, porque o Prodir é indispensável”.

Distribuição e seus desafios

O Summit Associquim/Sincoquim teve como proposta analisar aspectos que são entraves à evolução do setor.

Ao abrir os trabalhos, o presidente da Associquim/Sincoquim destacou o dinamismo da distribuição, em constante evolução, agregando valores a suas atividades, de forma a beneficiar toda a cadeia. Ele observou que embora a atividade principal da distribuição consista em comprar e vender, o importante é o produto chegar ao comprador em boas condições e no menor tempo possível. “Em um país de dimensões continentais como o nosso, a eficiência logística é nosso diferencial”, afirma Medrano.

Para o presidente da Associquim/Sincoquim, é necessário compreender o momento político-econômico e discutir deficiências estruturais que impactam de forma negativa os custos operacionais.

Para compreender o momento político e suas implicações, a Associquim convidou como conferencista o jurista Yves Gandra Martins, que traçou um panorama da situação brasileira, explicando que é importante eleger um presidente que se comprometa a conduzir o Brasil de forma a promover o desenvolvimento. Ressaltou a importância da reforma trabalhista e defendeu como essenciais as reformas tributária e previdenciária.

Martins criticou o Supremo Tribunal Federal, que em algumas circunstâncias invade a competência de outros Poderes. “O momento é extremamente delicado. O Supremo avança competências de forma inconstitucional.”

Ao final da palestra, o conferencista defendeu a conquista da presidência por um candidato que represente a centro-direita, que deverá dar prosseguimento ao alicerçado no atual governo. “Tenho receio de entrarmos em uma nova onda populista. Isso vai atrasar ainda mais o Brasil”, finalizou Martins.

O cenário macroeconômico foi apresentado pelo economista José Roberto Mendonça de Barros. Ele analisou o panorama global, demonstrando que as regiões econômicas relevantes ao desenvolvimento estão crescendo. Chamou atenção para os Estados Unidos, que começou a colocar em prática uma política protecionista. Analisou as perspectivas brasileiras em 2018, posicionando-se de forma otimista. Na visão dele, a tendência é de crescimento sustentável este ano e em 2019, mas alertou: “Se entrar um governo populista, vamos voltar ao pântano”.

Eficiência logística

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de São Paulo (Setcesp), Tayguara Helou, falou sobre o transporte rodoviário de cargas. Ele observou que mais de 60% de toda a movimentação de cargas no Brasil se dá por modal rodoviário e falou sobre a situação das rodovias brasileiras. “No Brasil há dois tipos de rodovias: as intransitáveis, pelas condições de pavimentação, e as inviáveis, pelo alto custo dos pedágios.” Também apontou como desafio o transporte intermunicipal, com áreas e horários restritos à circulação de caminhões e os rodízios de placa. “É preciso lutar por um modelo logístico aperfeiçoado para aumentar a competitividade do Brasil”, alertou.

Particularmente no transporte de cargas perigosas, o presidente do Setcesp criticou o excessivo número de licenças necessárias a esta atividade, nos âmbitos municipal, estadual e federal. “Programas como o Prodir já garantem a eficiência do transporte de cargas perigosas”, disse ele, defendendo a exigência de uma única certificação.

O presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop), Sérgio Aquino, apresentou palestra sobre o atual modelo portuário brasileiro, criticando muitos aspectos relacionados à Lei dos Portos e à metodologia de gestão atualmente adotada. “O modelo portuário brasileiro não existe no mundo.” Analisando a legislação vigente, ele citou cada um dos fatores negativos e ressaltou que um dos mais graves problemas é a vigência de dois modelos de gestão portuária, “que convivem simultaneamente, sem isonomia de regras”.

Setor químico brasileiro

O presidente da Abiquim, Fernando Figueiredo, apresentou o setor químico brasileiro, que se encontra na oitava posição no ranking mundial. “Há dois anos o nosso país estava em sexto lugar, mas a Índia e a França nos ultrapassaram.”

Figueiredo assinalou a penetração dos produtos importados, que representam 38% do mercado, e afirmou que é preciso reagir, para assegurar, inclusive, a taxa de empregos gerada pelo setor.

A indústria química continua sendo uma das mais importantes da economia brasileira, sendo, por exemplo, a melhor solução para agregar valor ao petróleo e ao gás combustível, explicou o presidente da Abiquim. Ele entende que é necessário às empresas nacionais terem matéria-prima competitiva globalmente e defende a implantação de uma política industrial que tenha efeito multiplicador de longo prazo, a exemplo de programas como o “Made in India”, promovido na Índia, e o “The New Face of Industry in France”, adotado pela França.

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